terça-feira, 31 de agosto de 2010

A 'chuva' não veio.



Estar mais próxima do Sol.
Sentir necessidade desse calor e querer uma proximidade quase impossível.
Não se cansar de poder vê-lo e raramente senti-lo, da maneira apropriada.
O sol sempre causa sensações atordoantes.
O calor, a respiração ofegante, a alucinação.
O sol....
O mesmo que se esconde atrás das nuvens no dia que vc quer ir à praia,

Ou se expõe demais quando vc quer uma chuva.

Mas hoje eu precisava de chuva!
Eu tinha certeza que ela iria aparecer...
Mas não veio,
Assim como em outros dias.
Eu precisava sentir algo gelado tocando o meu rosto e me fazer perder os sentidos por um segundo.
Mas, a chuva não veio.
Assim como as coisas que ela traria consigo.
Eu realmente queria mais do que um vento no rosto, um arrepio de frio, ou simplesmente um ar, seco e gelado..... um princípio de chuva!
Hoje, eu queria uma tempestade.
Hoje, o que me soaria natural seria o imprevisível, uma noite insana, improvável, alucinante, que se diferenciaria dos outros.
Hoje, eu queria correr na chuva até perder o fôlego, eu queria um beijo demorado, um abraço apertado,andar de mãos dadas até a chuvar passar... encenar um filme tipicamente romântico, e terminar como o espectador sempre espera.
Perderia os limites, falaria o que tantas vezes desisti de dizer, pediria coisas improváveis e até impossíveis, honraria o adjetivo de 'louca', faria e aceitaria qualquer pedido.

Mas,
a chuva não veio.


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Polaridade


  • Mas um papel amassado a se juntar às cartas sem destinatário.
  • Naquela tarde, eu ensaiei as frases mais bonitas, mais convincentes, as que fariam algum efeito.
  • Eu revirei as minhas gavetas, afim de encontrar fatos que provassem a minha loucura.
  • Eu sabia, desde o começo, que não adiantaria.
  • Eu perderia a linha, cairia na contradição, olharia seus traços manipuladores, me renderia ao seu sorriso, me encaixaria no seu abraço.
  • Eu sairia do meu mais absoluto controle emocional e voltaria pra ele, em segundos.

  • Talvez aceitar a condição de polaridade dê um certo sentido a tudo isso.
  • O norte e o sul,
  • Ser o extremo tão próximo,
  • Ser o oposto tão similar,
  • Ser a insanidade tão lúcida.
  • Ser o muito e o pouco.

  • Apenas sentir e não mais questionar.
  • Apenas sorrir e não mais se preocupar.
  • Apenas entender e não 'compreender'.

  • Como naquela tarde, meu escudo fez-se permanente.
  • Uma forma de aceitar o 'sim', num dia, e o 'não' em tantos outros
  • Aceitar as frases compostas por várias conjunções adversativas
  • Aceitar que, por mais que eu lute contra os meus monstros imaginários, ainda não seria o suficiente para a recompensa perdida.

  • Saber apenas que, dois pólos, não podem ficar no mesmo espaço, a não ser que fique juntos.
  • Ou que, os paralelos se encontram sim, mas somente no infinito.
  • Ou que, deixar as coisas 'rolarem', é uma solução para não ter que desistir.

  • E por mais que, aquela tarde tenha virado noite e ficado para atrás, eu certamente me lembrarei de cada segundo, de cada palavra, de cada sussurro.
  • E, não desistirei de desafiar a Física e contrariar a Lógica

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A minha estação


Tenho andado num caminho já conhecido, entretando, de tão familiar que é, me sinto perdida.

Tenho visitado o mesmo jardim, que antes plantei certas flores, mas, hoje, tenho receio dos espinhos.

Tenho remexidos papéis que só deveriam ser relidos quando essa história terminasse
Tenho bebido bebidas mais fortes, afim de ter uma ressaca moral para ter com o que se incomodar no dia seguinte.

Tenho escrito cartas sem destinatário.
Tenho ouvido canções do verão passado.

Talvez, eu seja mesmo o passageiro dessa viagem.
Sim, já estive nela antes, já embaquei, mas tive que descer em uma outra estação.
Agora, vejo o meu trem voltar, mas ao mesmo tempo que o vejo, sinto que não conseguirei embarcar.
Talvez esteja cheio demais, talvez mais um passageiro não faça a diferença.
Talvez, de fato, esse trem não queira parar na minha estação.


Talvez eu seja uma pseudo heróina, que no fundo, perdeu seus poderes e agora espera demais das pessoas.
Talvez eu tenha apostado minhas fichas num jogo, onde o adversário esteja apenas blefando
Talvez eu tenha ficado demais atrás dos holofotes, e seus olhos não queiram mais assistir o meu espetáculo.

E então, talvez eu faça planos antes de dormir, e os desfaça ao acordar.


domingo, 8 de agosto de 2010

Réplica






Todo espetáculo merece platéia.

Todo e qualquer sentimento tem a sua relevância.

Toda pergunta tem o direito a resposta.

Todo olhar, no fundo, é perigoso.

Todo sorriso, cativa.

Todo elo não se explica.

Toda palavra tem a sua significação, e a medida que é disposta, tem o intuito de amolecer um coração e trincar uma armadura impenetrável.

Todo debate merece uma réplica.

Sendo este, um confronto frequente, entre o simples e o lógico, o calmo e o turbulento. Entre os holofotes e a escuridão, entre o espetáculo e a platéia.


Falo de uma coisa sem sentido.

Do gosto de uma fruta proibida, que não se esquece.

Falo de uma loucura quase clichê, que, no fundo, soa atípica ao ouvido alheio.

Falo de uma sensação semelhante a pular de pára-quedas: do frio na barriga, da adrenalina, e do impacto, do atrito ao tocar o 'chão'.


Falo de um poeta adormecido.

Que quando acorda, se transforma em vulcão.

É imprevisível e avassalador.

Desconhece seus próprios poderes,

Escreve o que pensa, de maneira brilhante, objetiva e simplória pra se livrar das loucuras interiores e mentais, mas que no fundo, me atormentam

Falo de poesias que eu leio, releio e decoro. Que procuro um sentido, uma pista em cada palavra, em cada entrelinha.

E que se torna música, com uma melodia hipnotizante, num tom que só se adequa a uma voz.


Falo de uma coisa tão simples, e de tão obvia que é, se torna impossível e me escapa das maõs....

Eis então, de fato e direito, a réplica.


" Cortina fechada...

Mesmo olhando pra cortina fechada sei que existe alguém atrás dela, vejo a sombra, sinto os olhos me seguindo.

Mesmo não querendo olhar atrás da cortina sei que existe alguém a me observar, me seguindo com os olhos, não consegue disfarçar um sentimento que ainda existe, que ainda encomoda, que ainda vive.

Fico na frente, com os holofotes ligados em minha direção, em meio a luz,tento enxergar o que você insiste esconter. É pra isso que essas cortinas existem, para esconder o que facilmente é descoberto quando você sai de trás dela.

Ensaios, erros, acertos, o diretor sempre tenta deixar a sua peça o mais próximo possível da perfeição, mas, e quando você não sabe onde o show vai te levar?

E quando as cortinas se fecham e você não sabe onde quer estar? Quando voce já não tem certeza que é na frente do palco o seu lugar, e se pega olhando para a cortina fechada...

Aprendi a não me arrepender das minhas decisões, sendos elas certas ou erradas, como em uma peça , o erro não tem volta, é inexplicavel quando acontece, mas não impossivel de ser desfeito.

Ppenso sempre que existe um próximo ato, mais uma cena. Como um flash lembro de um refrão que diz “ faz parte do meu show”, sim esse show tem continuar, e assim fazemos...

Realmente 'tudo que vai, deixa o gosto', e desse gosto doce é que vou me lembrar, isso minha cara, você tem toda razão.

Realmente o gosto fica...

E assim como uma bela peça, não tem hora, dia, mês ou ano pra acabar, pois enquanto o 'gosto', a lembrança, e o sentimento de uma peça inacabada continuar dentro de nós...

Apenas abaixamos a cortina, e continuamos vendo ela nos separar "

Por S.V.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sono profundo


Ontem, à noite, percebi que eu gosto de sentir o vento tocar em meu rosto.
Me traz uma sensação de liberdade, de euforia...de sinestesia.
Mesmo o frio sendo intenso e cortante.


Ontem, à noite, percebi que pra ser feliz não precisa-se de muito.
Simplesmente estar em boa companhia.

Ontem, à noite, percebi que certas pessoas eu levarei pra sempre.
Porque um simples sorriso DELA, uma careta,ou encaixá-la no meu colo, de ficar mexendo em seu cabelo, me dá a sensação de proteção...e é isso que eu quero fazer por essa menina levada que prende num elo de alma.

Ontem, à noite, percebi que certas coisas são inevitáveis.
Que eu posso fugir, tentar convencer a mim mesma que é loucura, que não tem lógica., mas sempre acontece o contrário.

Ontem, à noite, eu percebi que, mesmo não acreditando em alma gêmea, a gente sente necessidade de uma determinada pessoa, sem nem ao menos perceber. Que por mais que você tente, você não consegue cortar o laço que vos envolve.
Que certas coisas simplesmente não se explicam, e nem se discutem.

Ontem, à noite, percebi que, por mais que eu tente esquecer ou ignorar, o gosto do beijo, o cheiro do perfume, o aconchego do abraço (de urso), ou o sorriso contagiante...eu não conseguirei.

Ontem, à noite, eu percebi que, ao te ver, meus anjos se transformam em demônios e os demônios se misturam nesse confronto de sonhos e realidades... que me fazem perder o sono, e a sanidade.

Ontem, à noite, eu percebi que ser covarde não é motivo de vergonha.
Que tirar a armadura e deixá-la trancada na última gaveta, às vezes faz bem.
Que se entregar, se envolver, se arrepender...faz parte do processo.

Ontem, à noite, eu percebi que, desejos, a gente simplesmente não controla.
Que lutar contra esses medos é o mesmo que uma luta entre o bem e o mal, o príncipe e o malvado, o herói e o vilão.. é uma luta de dentro pra fora. Uma luta sem qualquer vestígio de outro integrante...é uma luta solo.


Ontem,à noite, eu percebi que certas frases tem o poder de atordoar uma pessoa, por mais firme que ela seja.
Que um simples olhar, desconcerta, atormenta....me envolve, me ganha.

Ontem, à noite, eu percebi que eu poderia tirar sons inexplicavéis de um violão velho e desafinado, escondido no armário.
Que eu poderia compor uma canção exclusiva, com uma melodia marcante que iria ecoar por aquele vento que soprava lá fora.
Seria a minha canção.
Seria o grito de um coração que se manifesta como um último aviso. Como um sinal de que, às vezes, se perder, se entregar, se deixar levar, não é motivo de preocupação.
Seria uma súplica, em defesa de uma decisão...
Um confronto entre o real e o imaginário, entre o fato e a idealização...entre o amor e a paixão.

Ontem a noite,
bem...
Ontem.
A noite se encerrou num sono profundo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Mais uma dose? É claro que eu tô afim!


Como entender...
Tantos clichês, tantos melodramas, tantas filosofias, tantas questões, tantas dúvidas, tanta ousadia.
Eu traduziria isso tudo numa bela noite, fria, recheada de intenções, olhares e desejos.
Ou talvez, como tomar uma bela taça de Dry Martini.
A mistura, o gosto amargo que logo se transforma num sabor adocicado e misterioso.
O desejo de uma outra taça, e logo percebe que se tornou prisioneira.
E assim, te envolve, te conturba, te seduz...te vicia.
E na outra noite, ainda insatifeita, necessita de mais uma dose.
Você se vê presa nessa alucinação "alcoolica", insana e fugaz.

Como sobreviver a esse vício?
Como se libertar dessa vontade? Desse desejo incrivelmente vunerável, desmedido...insano.
Parte de mim quer se livrar, esquecer das sensações, das loucuras, dos tormento...Quer a lucidez.
Outra parte, não.
Essa outra parte quer a alucinação, o arrepio, a fuga da realidade, a insanidade, o devaneio.
Quer o confronto, o toque, o sorriso, o beijo...
Quer a embriaguez.

E pra quê pensar tanto para escolher que parte seguir?

Mais uma noite se aproxima,

e ...

"Mais uma dose?
É claro que eu to afim! "



sexta-feira, 30 de julho de 2010

Os fortes também choram.


Hoje eu acordei com um vazio.
Por que tantos -"por que"?
Por que tanto "raciocinar"?
Por que tanto -"tentar entender"?
Por que tanto -"complicar"?
Por que tanto -"falar"?

Por que bancar a durona?
Por que não gritar aos quatros ventos, os seus medos, suas vontades, suas loucuras...?
Por que não brigar? Gesticular? Dente a dente?....olho no olho!

Por que esse vazio?
É tão dificil entender que a outra pessoa não precisa de você para estar bem?
É tão dificil encarar a indiferença?
É tão dificil tomar uma decisão, e fingir que não se arrependeu?
É tão dificil não ter você?

...

Sim, os fortes também choram.
São sensíveis, tendem a explosão, enlouquecem...se enfraquecem!

Mas, sobreviveremos..

Os fortes sobrevivem...
Por mais que doa não ouvir um "boa noite", ou ler uma mensagem, ou assistir um vídeo apaixonado, ou ler uma carta de amor, ou simplesmente saber que essa pessoa não existe mais pra vc..
Os forte sobrevivem...
Por mais que as lágrimas não cessem, que, junto com a noite, a solidão tende a te engolir, que sua voz se transforme em grito ou que os dias pareçam não ter mais graça...

Os fortes sobrevivem!

Sim, sobrevivem.

Porque, quando não mais existir dor, haverá a cicatriz para não haver o esquecimento.
Haverá sonho, um abraço amigo, uma conversa longa, uma cumplicidade, um amigo.
Entrará uma nova estação, e não terá espaço para o vazio.

Sim, hoje dói...
Mas vou dormir na esperança de que o amanhã me traga outros risos, outras músicas, outros sonhos...

Não vou me esquecer, só vou me acostumar.