Todo espetáculo merece platéia.
Todo e qualquer sentimento tem a sua relevância.
Toda pergunta tem o direito a resposta.
Todo olhar, no fundo, é perigoso.
Todo sorriso, cativa.
Todo elo não se explica.
Toda palavra tem a sua significação, e a medida que é disposta, tem o intuito de amolecer um coração e trincar uma armadura impenetrável.
Todo debate merece uma réplica.
Sendo este, um confronto frequente, entre o simples e o lógico, o calmo e o turbulento. Entre os holofotes e a escuridão, entre o espetáculo e a platéia.
Falo de uma coisa sem sentido.
Do gosto de uma fruta proibida, que não se esquece.
Falo de uma loucura quase clichê, que, no fundo, soa atípica ao ouvido alheio.
Falo de uma sensação semelhante a pular de pára-quedas: do frio na barriga, da adrenalina, e do impacto, do atrito ao tocar o 'chão'.
Falo de um poeta adormecido.
Que quando acorda, se transforma em vulcão.
É imprevisível e avassalador.
Desconhece seus próprios poderes,
Escreve o que pensa, de maneira brilhante, objetiva e simplória pra se livrar das loucuras interiores e mentais, mas que no fundo, me atormentam
Falo de poesias que eu leio, releio e decoro. Que procuro um sentido, uma pista em cada palavra, em cada entrelinha.
E que se torna música, com uma melodia hipnotizante, num tom que só se adequa a uma voz.
Falo de uma coisa tão simples, e de tão obvia que é, se torna impossível e me escapa das maõs....
Eis então, de fato e direito, a réplica.
" Cortina fechada...
Mesmo olhando pra cortina fechada sei que existe alguém atrás dela, vejo a sombra, sinto os olhos me seguindo.
Mesmo não querendo olhar atrás da cortina sei que existe alguém a me observar, me seguindo com os olhos, não consegue disfarçar um sentimento que ainda existe, que ainda encomoda, que ainda vive.
Fico na frente, com os holofotes ligados em minha direção, em meio a luz,tento enxergar o que você insiste esconter. É pra isso que essas cortinas existem, para esconder o que facilmente é descoberto quando você sai de trás dela.
Ensaios, erros, acertos, o diretor sempre tenta deixar a sua peça o mais próximo possível da perfeição, mas, e quando você não sabe onde o show vai te levar?
E quando as cortinas se fecham e você não sabe onde quer estar? Quando voce já não tem certeza que é na frente do palco o seu lugar, e se pega olhando para a cortina fechada...
Aprendi a não me arrepender das minhas decisões, sendos elas certas ou erradas, como em uma peça , o erro não tem volta, é inexplicavel quando acontece, mas não impossivel de ser desfeito.
Ppenso sempre que existe um próximo ato, mais uma cena. Como um flash lembro de um refrão que diz “ faz parte do meu show”, sim esse show tem continuar, e assim fazemos...
Realmente 'tudo que vai, deixa o gosto', e desse gosto doce é que vou me lembrar, isso minha cara, você tem toda razão.
Realmente o gosto fica...
E assim como uma bela peça, não tem hora, dia, mês ou ano pra acabar, pois enquanto o 'gosto', a lembrança, e o sentimento de uma peça inacabada continuar dentro de nós...
Apenas abaixamos a cortina, e continuamos vendo ela nos separar "
Por S.V.